sábado, 28 de julho de 2012

Crescem, e preocupam, os sinais negativos na economia brasileira

Consumo e abertura de vagas perdem força. Indústria fica ainda mais fraca
 
Ao contrário do que se viu quando a turbulência financeira assombrou o mundo há três anos, o Brasil não vive mais uma onda forte de crescimento.

O consumo — travado por causa do endividamento das famílias — já não consegue dar fôlego para a economia. A indústria, por sua vez, ainda se ressente da fraca demanda e da falta de competitividade.

Há razões para que analistas comecem deteriorar as expectativas. Setores alvos de benefícios do governo — como o automotivo — começam a demitir. As previsões para a indústria entraram no campo negativo e uma retração de 0,04% é esperada para este ano. O setor industrial fala em “semestre perdido”, por causa da queda de produção e emprego, baixa utilização dos pátios das fábricas e aumento de estoques. Já o comércio teve a primeira queda das vendas desde 2009, de 0,8%, em maio. A confiança da indústria voltou para patamares da crise há três anos.

A arrecadação de impostos caiu 6,5% pela primeira vez no ano, porque as empresas lucram menos. E também remeteram 47% menos lucros e dividendos para o exterior no primeiro semestre. Mesmo com o dólar alto — como queria a indústria nacional — houve uma retração das exportações de 45% nos seis primeiros meses do ano.

A criação de empregos com carteira caiu quase 33% nesse período. A Previdência Social fechou junho com déficit de R$ 2,7 bilhões: 38% maior que em igual período de 2011. Menos dinheiro entra no país: o fluxo cambial foi negativo em US$ 1,9 bilhão em julho, por causa do desempenho negativo de exportações e das saídas de investidores. Grandes bancos como Santander, Itaú e Bradesco perdem lucratividade e culpam o alto índice de inadimplência que começa a recuar, mas está ainda em nível recorde.

Para o professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzo, um dos principais interlocutores do Palácio do Planalto no campo econômico, as famílias estão no maior nível de endividamento, de 43,3%, e no fim de um ciclo de consumo de bens duráveis.

— As limitações são maiores, o nível de renda é menor — disse Belluzzo. — Não sou eu, mas a torcida do Flamengo, gregos e troianos acham que o governo tem de ir pelo caminho do investimento em infraestrutura para sair dessa crise.
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